Tigre em trânsito


Acabei de chegar de Buenos Aires e volto ainda mais encantado com a capital portenha. Que cidade linda. Que povo agradável e que sabe receber muito bem. Mesmo com um certo ar de superioridade ainda como herança da aristocracia francesa que se viveu por lá, o argentino tem sim o seu charme.

Sua maneira de falar, construir, discutir e até mesmo descordar, os tornam um povo bastante interessante.

E claro, mesmo estando num dos melhores hotéis da cidade o meu desejo maior era passear de coletivo. E fui. Mas não de coletivo e sim de trem de subúrbio a caminho da província de Tigre.

Fiz todo o inverso dos turistas que se acotovelavam nas pequenas ruas de San Telmo.

Peguei um trem numa estação abusrdamente maravilhosa, por ondem passam centenas de argentinos em direção das provincias de Buenos Aires. Eu admirava a caminho suas casinhas, muitas delas modestas e com poucas pessoas nas ruas. Era uma tarde fresca sem se estar frio. A cada bairro que o trem passava, carros esperavam atrás das cancelas. E nós lá passando como se o mundo parasse para que nós continuássemos. Nós? Sim, eu e meu amigo argentino comunista Lucas Daniel. Além de um grande amigo Lucas é comunista assumido inclusive com uma barba a la Che Guevara. Aliás quando eu disse a ele que eu tinha assistido a película "Diário de uma motocicleta", ele quase me abraçou emocionado.

E neste trecho de quase 50 minutos até Tigre discutíamos a razão de Lucas pelo comunismo.

Ele me dizia que baseado na própria história de dificuldade de sua vida, ainda quando criança, fez crescer nele um interesse em poder ajudar aos mais necessitados. Tentando mesmo que com poucos adeptos, pregar a idéia do comunismo.

Horas depois e dezenas de paradas após partimos, chegamos a Tigre. Uma província portenha que nada mais é que um grupo de ilhas, ou seja, toda cortada com rios, lotada de argentinos que saem da capital para se refrescar com piqueniques a beira rio. O trânsito como se fosse de uma pista local, lotados por barcos de diferentes tamanhos.

E ali, estava eu, mais uma vez desfrutando um novo conhecimento. Garimpando mais informações e referências para as minhas próximas obras na vida. Eu estava ali atendo as história do meu amigo comunista e ao mesmo tempo observando a maneira simples do cidadão argentino. Não digo simples como simploriedade, até porque trata-se de um local com belas casas e barcos, mas ver ali naquele instante e lugar novas formas de viver. Seja lá em Tigre com os argentinos como aqui nas nossas cidades próximas.

Lucas me disse que eu tenho um interesse muito grande no social, nas pessoas locais e em suas maneiras de viver. Porém a minha razão e interesse de ver a vida como ela é em diferentes formas e diferentes pessoas e lugares é para aprender com o próximo.

Seja pela maneira que vivem ou mesmo pelo que anseiam para suas vidas. Gosto de histórias. Procuro constantemente pessoas para admirar como seu eu buscasse um roteiro adaptado para o meu filme.